Por quê não damos certo como sociedade?
Porque servimos unicamente aos nossos interesses individuais. Ajudamos a outras pessoas para termos algum retorno. Olhamos para os demais e enxergamos neles o mesmo valor de uma ferramenta, que deixa de ter uso e pode ser relegada ao esquecimento. Abusamos, pedimos, tiramos, ou seja, queremos para nós isto ou aquilo, este ou aquele sentimento de satisfação, mesmo que para isso privemos o outro, pois em nada importa como ele fique desde que tenhamos nosso desejo satisfeito. São comportamentos dos mais diversos que mostram nossa rota: o explorador, o corrupto, o preguiçoso, o espancador, o assassino, o enganador, o chantagista... Nada disso fica distante de nossa realidade. Ocorre nos lares, nas escolas, nas lojas, entre os ditos amigos. Não apenas em grandes organizações financeiras, comerciais, administrativas ou criminosas. Nos tornamos perseguidores de nossos semelhantes por causa de prazeres. Para poder dormir mais deixamos que outros trabalhem em nosso favor. Para poder gozar de mais confortos e prazeres vivemos dispostos a ser servidos mesmo que isso custe a vida, a saúde, a paz, as posses ou a inocência dos que servem. Para receber elogios vazios gastamos recursos em roupas e outros bens mortos enquanto passamos por seres vivos que sequer recebem os cuidados essenciais. Nos colocamos a falar mal dos outros como se ao diminuir a outra pessoa com nossas palavras nos transformássemos em algo melhor. Deixamos de fazer, de produzir, de trabalhar, pois isso parece ir contra nosso modo orgulhoso e egoísta. O resultado aparece nos jornais e em nada surpreende, afinal somos treinados para pisotear.
Queria que nossa sociedade mudasse seu foco. Em vez de servidos, servos uns dos outros. Isso pode dar a entender que queremos nos colocar abaixo em uma escala que classifica-nos como mais ou menos importantes para o mundo. Garanto a ti, que agora recebe estas palavras, que para uma sociedade que traga real qualidade para seus membros, o mais importante se torna aquele que dá de si para o grupo, atendendo às necessidades alheias ao mesmo tempo em que busca atender às suas próprias. Existe o suficiente de tudo para todos, desde que paremos de desejar o excesso exclusivista decorrente do orgulho. Não nos tornamos melhores em virtude de hierarquia social, grau de instrução secular, etnia, sexo ou opinião. O que se considera pior ou melhor muda de acordo com os costumes. Uma coisa entretanto vale em qualquer contexto: aquele que presta socorro aos necessitados torna a vida melhor, pelo menos para si e para aqueles a quem serviu. Quanto aos que servem aos que possuem demais, talvez devessem parar de fazê-lo e buscar os que precisam de seu apoio para se erguer e assim caminhar. Ter uma sociedade melhor passa por essa modificação. Mudar os nomes de quem recebe benefícios em demasia em nada resolve. Precisamos que os grupos mais prestigiados sejam postos abaixo.