20 de fevereiro de 2012

Horas tantas

Tuas horas lentas
São ferramentas
Que reinventas.

Dador dos meus dias,
Eternidades darias
Em troca de horas vazias?

E se quero horas a mais
É pra ir onde vais:
Ao encontro dos Pais.

Quero ser sim feliz.
Isso eu sempre quis
Nas horas que vi com a íris.

15 de fevereiro de 2012

Vem!

Minha constância mal resiste a um toque,
Minha solidez estremece com um dedo.
Temo fazer o que não se pode.
Sim, de cair e não levantar tenho medo.

Quisera ser tal qual rocha
Que em solo serve de alicerce.
Tal vez um dia eu possa
Se eu seguir o meu Mestre.

Mas eu como homem sou fraco.
Volta e meia me vejo perdido,
Como se andasse sem leme num barco.

Mas o tempo agora é ido
E prefiro me erguer. E o faço.
Volto a correr qual menino.

12 de fevereiro de 2012

Redimido

Quem gosta da perspectiva da morte? Imaginar que um dia vai acabar esta vida onde posso agir sobre os elementos parece algo muito triste (como se tudo se resumisse ao que se pode tocar). Felizmente ressuscitarei. Parte de minha felicidade reside no tato e no manuseio de corpos (no sentido geral da palavra). Sinto grande prazer ao produzir sons no violino e certamente sentirei falta desse prazer depois de morrer. Me agrada o contato com outros seres humanos. O toque de um carinho sincero tem um valor enorme pra mim. Gosto de brincar e afagar outros seres. Quero que minha vida dure muito para que eu tenha muitos momentos de troca na esfera material, mas me alegro por saber que depois de morto voltarei a habitar em um corpo de carne. Não como outro ser, mas como eu mesmo, capaz novamente de agir (e portanto existir) fisicamente. Sou grato ao Redentor da humanidade que deu esse presente para toda coisa criada que um dia perece. Nenhuma outra certeza que eu tenho me alegra tanto.

10 de fevereiro de 2012

Muito e pouco

Muita falar de amenidades
Muita risada sem alegria
Muita satisfação das vontades
Muito orgulho e maldade hoje em dia

Muita e exagerada cobiça
Muitas reclamações e poucos atos
Muita sujeira e preguiça
Poucos sabem doar de seus pratos.

9 de fevereiro de 2012

Guerra!

Muitos continuam submissos aos poderosos apenas porque eles se organizam e se disciplinam para a guerra. Falta o restante do povo fazer o mesmo pra tirar esses tais do poder. Em alguns países as forças armadas dos opressores chegam de fora. Em outros as pessoas apanham dos próprios compatriotas. Pelo medo de ter o seu sangue derramado doam todas suas energias para os que comandam suas vidas, os quais vivem com conforto e ociosidade mas com medo que um dia os demais percam o medo e se unam contra eles.

Paz!

As guerras e contendas se baseiam em um errôneo conceito que afirma que uns são melhores que seus semelhantes. Qual palavra eles não entendem quando se fala em 'semelhantes'? Alguns se entendem justificados ao oprimir pessoas de outro sexo, credo, ponto de vista ou de outro grupo étnico, político ou social. A defesa da desigualdade entre os seres difere da defesa da individualidade dos mesmos. Somos livres para fazer, pensar e falar o que quisermos mas isso difere de sermos o que quisermos. Somos gente e nenhuma gente vale mais que outra.

7 de fevereiro de 2012

Sinto muito

Consegues dizer o que sinto
Quando eu ao teu mundo me exponho?
Como explicar que o beijo dum filho
Num segundo me faz mais risonho?

Poderias falar como pode
Que me encantem tanto teus olhos?
Ou que de leve entre dedos um toque
Me sacuda até mesmo os ossos?

Conta logo pra mim tudo isso.
Qual motivo há pra tanto sentir?
Os sentidos, algo quase maciço,
Mexem com as entranhas, sim.

Eu pensava que ver era simples,
Que tocar era algo banal.
Que dizer pois então se ouvir-te
Faz-me quase sentir imortal?

Eis que alegra meu rosto
Quando invades minha mente
E te vejo com gosto
E sorrio somente.

6 de fevereiro de 2012

Homem bicho

Temos protetores dos animais em excesso
Se comparados aos protetores dos humanos.
Tem quem gaste uma boa grana em estética do seu amigo peludo
Mas que nem pensa em doar uma roupa pra um irmão que vive pelado.
Tem quem compre da melhor ração pro seu bicho de estimação
Entretanto não estima suficientemente seu semelhante a ponto de lhe dar um pouco do seu alimento.
Animais abandonados temos aos montes, alguns pelas ruas e orfanatos
Outros sob pontes e em barracos.
Alguns afagam e falam com seus pequenos cães e gatos
Porém nunca dão a atenção devida ou uma carinhosa conversa a um pequeno ser humano em desenvolvimento apenas porque este vive em situação de pobreza.
Toda vida tem seu valor,
Seja ela qual for.
Um bichinho pode ser útil como boa companhia, como segurança ou caçador de ratos e baratas
Todavia um humano pode ser de valia pra construir pontes, casas, lavouras, livros ou mesmo almas destruídas pela desigualdade e falta de consideração.
Amar a um não precisa excluir o amor pelo outro.

5 de fevereiro de 2012

Passa (li) geiro

Por onde andam meus passos
Levo junto o sentimento.
Muitos rostos, muitos fatos,
Tudo traz e leva o tempo.

Ficam sim novos saberes
Pelo que vivo e vejo.
Anseio por conheceres
O que contém o meu beijo.

E se meu exposto ser
Nesta curta passagem
Derrama-se para tu ver

É por causa da bagagem
Que teimo em conceder
E que aprendi nesta viagem.

3 de fevereiro de 2012

Sou e és

Não preciso satisfazer
Tuas egoístas expectativas,
Grito, calo, sigo meu viver
Sem que governes os meus dias.

Me importo contigo o suficiente
Pra que aprendas a ver por ti
Que vales como qualquer outra gente
Pelo que podes contribuir aqui.

Muito pode quem se doa
E pouco quem quer me mandar.
Se te perturba que eu ria à toa
Que me importa teu pensar?

Se me queres bem feliz
Sem que seja sob tua regra
Posso ser quem eu bem quis
Livre de amarga inveja.

Mais porém que só ser livres
Pessoas precisam de pessoas
Pra viverem sem limites
Vidas alegres e boas.

E se podes trazer paz
E aliviar minha tristeza
Te peço um pouco mais:
Que o faças só se o queiras.

Como a mim te quero grande
E me disponho a dar-te parte
Do que sou neste instante
Se queres minha vontade.

O dia continua

Meço as horas e os dias porque parecem acabar. Conto os minutos e segundos porque tudo ocorre em diferentes tempos. Penso no agora como se o ontem ou o futuro em nada fizessem parte dele. Sou ainda. Nunca deixo de ser e continuarei sendo pelas eternidades. O que importa mais quanto ao tempo é como sou em vez de como fui ou serei, porque tudo se conecta. Serei melhor se sou melhor do que fui. Serei mais isso ou aquilo se sou mais isso ou aquilo do que fui. Para onde afinal estou dirigindo meu curso? Ao olhar o mapa e analisar onde estive e onde estou posso dizer para onde estou indo. Agora mesmo mudo de trajeto se eu quiser, mas somente se perceber que preciso mudar, se for capaz de olhar para o horizonte que deixei e para o que me espera e sentir que minha rota me conduz a trilhas indesejadas. De que vale acumular o que alguns chamam de sucessos se me conduzem a um pavoroso fracasso? Por que deveria menosprezar minhas falhas anteriores se me conduzem a ser mais atento a meu progresso? O simples fato de ter repousado algumas horas e chame o tempo entre o descer e o erguer do sol de 'novo dia' em nada muda o fato que continuo existindo e percorrendo algum trajeto. Para onde? Parado? Para quem?

2 de fevereiro de 2012

O dia

Nada era pra ser tão complicado, até que uns quiseram possuir mais do que outros. Apesar de ficarem fora da vista, milhões de humanos vivem explorados como escravos pra que alguns milhares desfrutem do fruto do seu trabalho. Anseio pelo dia em que a grande maioria pare de dar de si pra poucos e doe pra muitos. Assim seremos pelo menos um pouco mais iguais em direitos.

31 de janeiro de 2012

Nome que nem sei dizer

Quem me arranca do meu leito?
Qual medida dessa garra?
Como vira e mexe o peito?
Por que me solta e me amarra?

Coisa estranha ser tocado
Numa parte de mim virgem.
Em vez de sentir-me sufocado
Sinto um tipo de vertigem.

Minhas pernas decididas
Seguem firmes ao destino,
Mas achar pessoas vivas
Causa em mim calado grito.

Quero correr pra todo sempre
E sentir correr meu sangue
Ao lado de minha gente
Que, como eu, a alma expande.

Pode um ser ter tanta vida
Que estranho seja ao olho?
Pois bem, pessoa querida,
Por te ler me sinto novo.

Como dar nome ao que me vai?
Nunca soube definir ao certo
Uma loucura que traz paz
E faz querer chegar mais perto.

Minha vista racional
Desbrava nova floresta
E encontra um animal
Que em mim ainda resta.

Quis falar com mais clareza
Contar aqui o que sei.
Quis botar pratos na mesa
Prum lindo banquete de rei.

Basta dizer que eu sinto?
Ainda sem saber expressar
Com fervor eu sigo indo
Pra um dia te abraçar.

Tua palavra, suave brisa,
Luz ao meu entendimento.
Teu semblante me anima
Como um fogo aqui por dentro.

27 de janeiro de 2012

Compre!

Compre!
Compre!
Compre!
Mas só se quiser.

Com tantos investimentos em propaganda, aplicam-se diversas técnicas de psicologia para que compremos. Cores, movimentos, imagens, sons, frases planejadas e muito mais servem apenas para que os homens trabalhem mais e mais para consumir mais inutilidades. De cada jornada de trabalho boa parte se esvai em luxuosos lixos. Em vez de ficar em casa com os entes queridos, as pessoas vivem para ganhar o que será desperdiçado logo em seguida. Nesse regime onde cada um age como escravo, nenhuma corrente existe, exceto o desejo de ter mais. Pra quê? Pra mostrar aos outros o que foi capaz de adquirir? Pra desfrutar de objetos sem vida mesmo que pra isso tenha que deixar de lado a vida pra assim conseguir mais dinheiro a fim de ter tais bens mortos? O que precisamos mesmo a quase nada se resume. Comida, roupa e teto bastam pra que vivamos. Viver basta pra que sejamos felizes. Pouco tempo de trabalho por dia basta pra que obtenhamos o essencial. Trabalhamos muito pra pagar o transporte que nos leva ao trabalho, pra comprar os medicamentos que atenuam o sofrimento por trabalharmos demais, pra dar aos nossos filhos presentes em lugar de presença. Compre! Compre! Compre! Mas só se quiser essa vida sem graça. Enquanto isso milhares de oprimidos trabalham mais duro ainda pra produzir o que consumimos e ganham menos do que merecem. Que coisa simples: plantar, colher e comer, construir e tecer. Pra quê mais do que isso? Desejos vazios nos distraem e nos afastam da verdadeira vida. Em vez de competir pra ver quem compra mais vaidade, que tal cooperar pra que todos tenham mais do que vale de verdade? Existe um plano pra resolver de vez esse problema, mas pra isso a humanidade deve mudar de caminho, mudar de objetivos. Esse plano existe e foi anunciado muitas vezes no passado, mas o orgulho impede que se aprenda o que tem sido falado. Quem acha que sabe tudo deixa de saber mais. Basta aprender a olhar pra si e pra cima e pro que foi escrito em vez de ouvir das ruas o grito: Compre! Compre! Compre!

17 de janeiro de 2012

Peste, fome e espada

Enquanto os seres humanos se degladiam por palavras e atos brutais, os grandes incentivadores dormem calmamente em suas camas luxuosas comendo a comida que tiram do povo a chicotadas. Cada vez mais tenho vontade de sair dessa suposta ordem. Juízes, políticos, empresários, banqueiros e outros mais deveriam ter simplesmente os mesmos direitos que os demais, assim como os mesmos deveres, mas todos buscam privilégios e pouco se importam com as vidas. Esbanjam em bens que um dia estragam. Reinos antigos passaram e a mente doentia dos poderosos continua a mesma. Priorizar gente ainda é a melhor maneira de obter paz. Essa suposta paz gerada pela livre exploração dos diferentes vai derramar muito sangue ainda, seja pela fome, pela doença ou pela violência.

9 de janeiro de 2012

Filho do Pai

Quem sabe um dia ensino
O que tanto custei a aprender.
Esta é a sina do filho:
Ouvir a quem tem mais saber.

Bem eu possa falar-lhe de tudo:
O que li, o que vi e vivi.
Pra que saiba lidar com o mundo,
E que eu também sofri, sorri e corri.

Sei lutar pelo meu pão.
Quero que saiba também.
E ao olhar para o irmão
Quero que faça o bem.

Por indicar-lhe aonde o caminho vai
Sei que verá afinal.
Esta é a sina do pai:
Falar e mostrar pra que evite o mal.

E quem dera o livre e impaciente aprendiz
Pudesse ver que os anos, sim, valem.
Aprendi em tudo que fiz.
E descobri que coisas se esvaem.

Uma coisa quero que aprenda logo,
Pois de todos é o saber mais valioso:
Que quando me interrogo,
Posso perguntar ao Pai e ter retorno.

5 de janeiro de 2012

Feito

Sem delongas, agirei.

Meu grito!

Quando olho para trás não lamento, medito.
O que deu bom fruto? Repito.
O futuro? Bonito.
Agora? Agito!

3 de janeiro de 2012

Bússola

Nem tanto onde, mas pra onde.

2 de janeiro de 2012

Olha!

De que vale a vida sem aprender? Experimentamos dores e alegrias, recebemos dos outros seus relatos e aprendizados para evitarmos as armadilhas, subimos nas montanhas para ver o todo e sentamos absortos admirando o pouco, encaramos o que ainda falta saber, sentir e viver. Coragem! A vida se vai correndo. O que demora se perde por se distrair. O de sempre requisitou a atenção por tempo demais. Ao menos olha pra ele de um outro jeito, como quem quer saber mais.

Dizpararte

Não sou artista apenas por tocar, cantar, desenhar, escrever, bailar, lutar ou seja o que for. Somos todos capazes de ser um em qualquer coisa que se fizer. A arte faz parte do ser humano. Somos capazes de perceber harmonia entre sons, cores, formas, palavras, movimentos, odores, sabores... Somos capazes de criar, produzir novidades a partir do que percebemos em vez de apenas reproduzir. Quando fazemos isso com dedicado trabalho pra buscar maior qualidade, podemos atingir um estado de arte, seja em um caminho profissional ou um ato de puro prazer. Pra iniciar basta fazer por gostar até gostar do que se fez. A arte pra ser valiosa precisa ter mais que qualidade. Pode ser simples e pouca, complexa ou muita, linda ou feia. Ela precisa trazer luz em si. A melhor arte desperta revoluções interiores e exteriores, muda rotinas e conceitos, quer ser partilhada sem fronteiras a despeito de despesas ou receitas porque significa.

1 de janeiro de 2012

Cheia no Nordeste

A indústria da fome enriquece!
A sede nordestina abastece a mão-de-obra.
Ó povo sofrido da peste!
A água que falta pra máquina sobra.

Algumas medidas pra serem seguidas
Pra alagar o sertão enquanto pisco:
De Poços de Caldas e Brasília
Puxar água pro rio São Francisco.

E pra acabar com a seca ligeiro
Com o Chico inundado de fato
Encher por Salgueiro a Juazeiro
E ligar Barra a Nonato.

Com muit'água no que era sertão
Esvazia a fábrica que usava a luz da represa.
O homem, feliz, de enxada na mão,
Ri com os filhos e netos à mesa.

O que era milagre hoje se explica
Porque Deus ainda é Deus,
O qual fez a Terrra pra ser rica
E ensina a moldá-las os filhos Seus.

31 de dezembro de 2011

Resultados

Nossa alma sempre livre
Em sua eterna existência
Com uma corrente vive:
Do ato a consequência.

Nada pode ser mais pobre,
Ao se pensar pra além do tempo,
Que desconhecer o ser que sofre
Por causa de seu invento.

De tudo que há pra ser feliz
Nesta vida existe de sobra.
Guerra, fome e doença o homem quis
Quando do outro sua felicidade cobra.

E o Deus que tudo sabe?
Não impede essa escolha.
Até o homem que no irmão bate
Recebe grão pra que colha.

Creia ou não no Deus vivente
O homem sabe o certo:
Estar em paz com toda gente,
Cuidar de si e dos que estão perto.

Muitos vão levar um susto
Ao ver-se no grande tribunal.
Aquele bom, verdadeiro e justo
Sem culpar a si sorrirá imortal.

Ao que seguiu o exemplo de Cristo
E procurou ajudar o sofredor
Sem buscar por isso ser visto
O resultado certeiro: amor.

O que seguiu sua trilha egoísta
Passando sem cuidar de pessoa
Terá claro e triste perante a vista
Que buscar bens e fama magoa.

30 de dezembro de 2011

Mais que ouro

Ouve-se falar em gente que vendeu a alma pro diabo e se tornou um grande isso ou aquilo perante o mundo por algum tempo. Por um punhado de canais (ou um acesso à internet) e uma folha de pagamento (ou mesada) de qualquer tamanho se troca a vida por uma existência vegetativa na poltrona e de cativeiro cotidiano. Vendem-se almas por quase nada! Como diziam os antigos: 'panis et circencis'. Viver pra consumir? Achei que era comer pra viver.
O que aguarda a maioria se resume a uma velha rotina induzida pelo consumo irracional pra que os que possuem possam se sentir e se mostrar mais valiosos.
Mudar? Visitar amigos em vez de sair pra comprar vaidade e ficar vendo as mesmas coisas na tela. Dar uma boa palavra em vez de inutilmente falar da vida alheia. Uma conduta nova em vez de dias novos com a mesma mente cega para a realidade ou um coração insensibilizado para as dores que circundam. Coragem de ver que nem tudo se parece com as fantasias imaginadas e assim mudar a parte concreta da sociedade que fica ao alcance do dedo. Dar do suor pelo pão alegremente e reservar o restante desse líquido precioso pra pessoas em vez de trocar a vida por coisas.
Nem os fatos nem as posses trazem felicidade, mas o intento dos atos, mesmo na hora do fracasso.
A alma nasceu pra brilhar em vez de esmaecer essa luz ao se cobrir com os panos do orgulho. Servir desinteressadamente a outros para que brilhem amplia a alma, liberta, ilumina, satisfaz. Há dores no mundo para aliviar, tristezas para confortar, doentes para cuidar, pessoas cansadas para motivar.
Cada alma vale muito. Deixar uma de lado significa jogar fora uma fortuna. O garimpeiro sabe eliminar a lama pra enxergar o ouro. Com pessoas basta esquecer o aparente. Todas possuem grande valor. Grande cegueira é vender almas por umas moedas. Melhor mostrar-lhes que podem muito!

29 de dezembro de 2011

Dia a mais

Acordei meio sem pensar em nada.
Um imenso vazio me encheu.
Fiquei com a mente ali, parada.
Pra qual motivo despertei eu?

Insisti em mexer os pensamentos.
Depois do silêncio, ouvi.
Sem entender, aguardei um tempo.
A voz veio clara: Levanta-te daí.

Em poucas palavras captei
Que ficar parado nada aproveita.
Trabalhar é minha lei.

Precisava regar antes da colheita.
Nada acontece se não ajo, bem sei.
O resultado? Só depois da obra feita.

28 de dezembro de 2011

Progresso humano

Outro dia caminhei no trapiche abandonado da praia do Laranjal. Algumas madeiras podres, escoras quebradas, a falta da mureta de proteção e o vento exigiam de mim cuidado a cada passo. Uma pisada forte em uma parte fraca poderia significar um grave erro.
Dias antes no centro da cidade vi um homem cair. Onde havia uma tampa de bueiro restava um pequeno buraco circular. O suficiente para que uma pessoa enfiasse a perna. Foi o que aconteceu.
Estamos acostumados a caminhar de tal forma que o fazemos sem o devido cuidado. Uma pequena pedra no caminho ou um desnível na calçada pode nos fazer torcer o tornozelo. Precisamos estar atentos a cada pisada. Saber lidar com o tempo presente se refere a esses atos comuns e não somente aos atos tidos como mais importantes.
A vida humana, se vista resumidamente, pode ser reduzida a poucos fatos comuns: precisamos viver e para isso trabalhamos a fim de obter alimento e abrigo. Esses passos cotidianos atravessam a estrada do tempo.
Viajamos pela existência sob a simples condição de permanecermos vivos, ou seja, trabalhar para continuarmos alimentados e protegidos. O resto? Cenários que se alternam, como em qualquer caminhada. Por vezes olhamos demais para a paisagem atual, outras vezes nos preocupamos tanto em como os outros nos enxergam, que deixamos de olhar onde pomos nossas pegadas.
Muda o contexto, continua a caminhada.
Se pensamos em mudar o mundo, podemos olhar para nossos passos em vez de seguir buscando freneticamente novas tecnologias para nos conectar a outros seres ou em lugar de adquirir novos e luxuosos bens, lindos tecidos para cubrir nossa nudez. A vaidade serve apenas a si mesma. Sequer alimenta o espírito, antes o esvazia.
Trabalhar para comer e se proteger é requisito essencial para todos. Ajudar a humanidade a progredir passa por isso inevitavelmente. Buscar para si e proporcionar a outros oportunidades para que esses simples atos ocorram faz toda a diferença para tornar melhor o meio em que vivemos. O resto vira lixo em pouco tempo e merece menos atenção.
Amas teus parentes e amigos? Ensina-os a trabalhar para viver. Faze da tua vida um exemplo de passadas firmes e decididas rumo a algo melhor compartilhando de ti.

26 de dezembro de 2011

Para aqueles que pensam que fé se refere apenas a acreditar em um Ser que poucos tiveram desejo de ver pessoalmente, o mais simples seria dizer que fé se resume a unir-se a pessoas cujo potencial poucos estão dispostos a enxergar.

24 de dezembro de 2011

Destino

Parei pra pensar no passo que ia dar. Por ter parado, deixei de andar. Penso sem parar. Ando ao pensar. Caminho na rua olhando pra cima sem perder de vista o buraco ou a parede no caminho. Que coisa diferente apenas ser sem precisar definir o que isso seja. Sem data, hora ou lugar pra mim exceto o aqui no presente. Com pouco mais que metros ou dias ao alcance da mente desta vida aparente. Se te encontrar por essas veredas, as pernas podem parar, mas segue o motivo da ida: tu (porque eu mesmo sou sem que precise sair de onde estou).

20 de dezembro de 2011

Fim do mundo

Fim do mundo daqui a um ano (2012)? Não. Poucas profecias antigas falam em datas exatas. Uma delas se encontra no capítulo 11 de Apocalipse. Antes do retorno de Cristo duas testemunhas com grandes poderes pregarão para Israel, sendo capazes até mesmo de reter a chuva. Seu ministério vai durar exatos três anos e meio até que sejam mortos em Jerusalém. Antes disso, a vida continua. Nos dias atuais nada se fala sobre tal dupla, portanto temos ainda um tempo pela frente. Pouco, considerando que muito precisa ser feito. Quando morrerem, todos vão saber, mas dali a três dias serão trazidos da morte e o tempo para a preparação será terminado. O melhor a fazer é ajudar aos outros sem buscar interesses pessoais hoje mesmo. Em vez de viver apenas para si, viver para os que carecem de apoio. Isso prepara cada um da melhor maneira para o que vem depois. Alguns podem pensar em gozar a vida em prazeres e ociosidade e se preparar somente perto do fim, mas pela incerteza se a morte os carrega antes de tal evento, sugiro que repensem seus conceitos.

19 de dezembro de 2011

Revolution

Revolution doesn't happen with peace or war but with people and work.

Ó pobre burra elite

Falo ao maioral do bolso ou palpite
Que encontra prazer na boutique.
Tal ser que sequer admite
Que dias mui tristes ele vive.

Coitado de tal homem.
A tudo que vê quer dar nome.
Na rebelião passará fome.
Dinheiro e ciência não se come.

Entregue a sua vaidade
Confinado na grande cidade
Morrerá seco, é verdade,
Por amar a desigualdade.

Direitos iguais.
Viver sem ter demais.
Ser um dos que o bem faz.
Eis como achar paz.

14 de dezembro de 2011

Profissionartista

Arte é considerada profissão quando se pensa nos artistas apoiados pelas gravadoras e pela mídia (especialmente rádio e televisão). Os demais são marginais enquadrados em alguma suposta subcategoria e qualificados como 'vagabundos', 'desocupados', 'desempregados' ou 'esmoleiros'. Fui chamado de esmoleiro por tocar na rua, como se tivesse aprendido a tocar sem dedicar tempo e trabalho pra isso. Pago pra fazer arte com dinheiro e com suor. Mesmo os que gostam do que ouvem, do que veem ou do que leem por vezes esquecem de recompensar o artista por sua obra. As celebridades da arte por vezes trazem peças muito pobres de significado, mas o simples fato de serem celebridades lhes confere algo como um doutorado em arte, permitindo que sejam remunerados com exagero. Mais que falar de arte como profissão, arte é libertação e não comércio.

8 de dezembro de 2011

Por quê?

Por quê não damos certo como sociedade?
Porque servimos unicamente aos nossos interesses individuais. Ajudamos a outras pessoas para termos algum retorno. Olhamos para os demais e enxergamos neles o mesmo valor de uma ferramenta, que deixa de ter uso e pode ser relegada ao esquecimento. Abusamos, pedimos, tiramos, ou seja, queremos para nós isto ou aquilo, este ou aquele sentimento de satisfação, mesmo que para isso privemos o outro, pois em nada importa como ele fique desde que tenhamos nosso desejo satisfeito. São comportamentos dos mais diversos que mostram nossa rota: o explorador, o corrupto, o preguiçoso, o espancador, o assassino, o enganador, o chantagista... Nada disso fica distante de nossa realidade. Ocorre nos lares, nas escolas, nas lojas, entre os ditos amigos. Não apenas em grandes organizações financeiras, comerciais, administrativas ou criminosas. Nos tornamos perseguidores de nossos semelhantes por causa de prazeres. Para poder dormir mais deixamos que outros trabalhem em nosso favor. Para poder gozar de mais confortos e prazeres vivemos dispostos a ser servidos mesmo que isso custe a vida, a saúde, a paz, as posses ou a inocência dos que servem. Para receber elogios vazios gastamos recursos em roupas e outros bens mortos enquanto passamos por seres vivos que sequer recebem os cuidados essenciais. Nos colocamos a falar mal dos outros como se ao diminuir a outra pessoa com nossas palavras nos transformássemos em algo melhor. Deixamos de fazer, de produzir, de trabalhar, pois isso parece ir contra nosso modo orgulhoso e egoísta. O resultado aparece nos jornais e em nada surpreende, afinal somos treinados para pisotear.
Queria que nossa sociedade mudasse seu foco. Em vez de servidos, servos uns dos outros. Isso pode dar a entender que queremos nos colocar abaixo em uma escala que classifica-nos como mais ou menos importantes para o mundo. Garanto a ti, que agora recebe estas palavras, que para uma sociedade que traga real qualidade para seus membros, o mais importante se torna aquele que dá de si para o grupo, atendendo às necessidades alheias ao mesmo tempo em que busca atender às suas próprias. Existe o suficiente de tudo para todos, desde que paremos de desejar o excesso exclusivista decorrente do orgulho. Não nos tornamos melhores em virtude de hierarquia social, grau de instrução secular, etnia, sexo ou opinião. O que se considera pior ou melhor muda de acordo com os costumes. Uma coisa entretanto vale em qualquer contexto: aquele que presta socorro aos necessitados torna a vida melhor, pelo menos para si e para aqueles a quem serviu. Quanto aos que servem aos que possuem demais, talvez devessem parar de fazê-lo e buscar os que precisam de seu apoio para se erguer e assim caminhar. Ter uma sociedade melhor passa por essa modificação. Mudar os nomes de quem recebe benefícios em demasia em nada resolve. Precisamos que os grupos mais prestigiados sejam postos abaixo.

1 de dezembro de 2011

Peladão

Não é a roupa que faz o homem.
O caráter, sim.
Tanto faz o que comprem.
Vida tem fim.
Passado é o ontem.
E quanto a mim?
Não apontem!
Nus estaremos perante Eloim.
O bom tem
Vestes gloriosas assim.
Desde Adão
Peladão.
Não?
Lindos trapos.
Nobres ratos.
Tristes fatos.
Amargos atos.
Verbos exatos.
Olhos vagos.
Pelados!
Sim!

27 de novembro de 2011

Andarilho

Quis andar em terras novas
Pra ver se o mundo era diferente.
Em cada cemitério, tantas covas.
Em todas cidades, tanta gente.

Pensei comigo: tanto faz.
É igual em todo canto.
Quem é rico quer sempre mais.
Quem é pobre come em pranto.

Sou teimoso. Vou de novo,
Olhando os humanos daninhos.
Enquanto procuro, me movo.

Vou viajando em mil caminhos
Pra ver se acho bom povo.
Seres que não vivam tão sozinhos.

[Alf] Fino? Pente.

Subvertem nossa mente
Calmamente
E então, de repente,
Trabalhamos de servente.
Só pra um, tanta gente!
O que é que a gente sente?
Não mente!
Ainda sente?
Hein, tchê?
Vem-te,
Ente,
Em frente.
Junta a mente
Com agente
Juntamente
Com a gente.
Lei doente!
Livre? Mente!
Viver, tente.

Cegos E leitores

Não tenho livros na feira.
Não vês?

O que escrevo:
Lês de graça.
Se tu visses o que vejo,
Cuspirias nesta praça.

Sai mais rico o milionário
Por usar vocabulário.
Safadeza!
Cospem enquanto falam muito
No prato frio da pobreza.
Miseráveis!

Queres comer?
Vá capinar.
O dito sábio come a comida
Que o dito inculto sabe plantar.

Empurrados pra cidade
Pela grana e teoria
Fogem pra fome
De ter páginas tão vazias.

Olha bem.
Milagres são possíveis.
Sem pão e roupa sobrevives?

Pra quê tantos desejos?
Pra quê guerra em vez de beijos?

Ajudar sem competir.
Conciliar sem destruir.
Milagres?

Em vez de somente um livro,
Podes ler um olhar.
Lê o que escreve tua vida
E que frutos vai dar.

9 de novembro de 2011

Meus mortos

Morreu mais uma geração de meus ancestrais. Foi-se minha turma de avôs e avós. O primeiro morreu quando eu tinha quatro anos. Terminou sua jornada a última dessas pessoas aos meus quarenta de idade. Antes deles, mais outros e outros casais. Foram antes de mim umas trezentas gerações de pais e mães que criaram e alimentaram filhos e filhas. Para cada pessoa em minha linhagem nascer, foram necessárias duas outras. Eu sequer existiria sem meus pais. O mesmo pode ser dito sobre eles e meus avós. Se eu fosse calcular e somar todos os que me antecederam nos últimos seis mil anos, eu teria como resultado uns quatro trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de bilhões de pessoas. Falo em um número com noventa e um algarismos. Muito mais gente que os poucos bilhões que vivem hoje neste globo terrestre. Apesar de usar valores para me referir aos meus antepassados, enfatizo que se tratam de pessoas reais, que tiveram que aprender, trabalhar, mudar suas vidas em função dos filhos que tiveram. Sem um deles eu deixaria de ser quem sou. Pasmo ao ouvir alguns defendendo que o melhor é viver sem ter contribuído com a continuidade de nossa espécie, ou seja, sem trazer almas a este mundo. Dizem que é maldade colocar crianças nesta vida porque iriam sofrer. Calem suas bocas de falar tamanha besteira. Sofremos mas sorrimos, sangramos mas vivemos. Sou grato a cada uma dessas pessoas que cuidou de seus filhos. Gostaria de saber como foram suas vidas. Gostaria de conversar com cada uma e lhes agradecer pessoalmente. Que não seja eu aquele a quebrar essa corrente, mas sim ser um elo forte dela. Que meus filhos tenham essa maneira de ver que tenho. Sou grato por minha família que inclui não apenas meus pais e os pais de meus pais, mas seus irmãos, primos, vizinhos e amigos. Toda essa gente de alguma forma ajudou para que eu existisse depois de alguns milênios de nossa estadia nesta esfera. São os meus mortos. Sem os tais, eu não estaria vivo. Quero viver com Deus em seu reino junto com todos meus parentes. Por fim, melhor seria dizer que todos somos parentes, filhos de um mesmo Pai Celeste e filhos de um mesmo pai terrestre (Adão). Todos. Os vivos e os mortos. Mortos? Apenas por agora. Ressurgiremos todos da morte e estaremos ressurretos na presença uns dos outros no esperado dia do julgamento. Que ao menos naquela hora eu possa estar tranquilo por ter vivido para dar continuidade à vida em vez de dar fim a ela. Assim poderei olhar com paz na alma para aqueles a quem devo a minha vida.

27 de outubro de 2011

Casas Malditas

Falam
Em secretas salas.
Gabam
Com macias falas.
Matam
E tu te calas.
Rapam
Sem barras.
Cagam
E tu lavas.
Caiam
Nem que seja a vaias.

Palafrêno

Palafrêno, sm. cavallo da sella di comoda cavalcatura, e specialmente ad uso di donne: un tempo s'intendeva per bel cavallo da viaggio o da comparsa, ricamente bardatto. (1836)